segunda-feira, 19 de julho de 2010

They won't go when I go - Stevie Wonder

Esta canção foi originalmente composta por Yvonne Wright, cunhada de Stevie Wonder, após um terrível acidente de carro sofrido pelo cantor em agosto de 73. Aqui vão duas versões da música, a primeira do álbum Fulfillingness First Finale, 1974, e a segunda em 2009, no Memorial de Michael Jackson. Esse post estava guardado desde o ano passado nos rascunhos do Blogger, em uma época em que eu escutava mais Stevie Wonder. Fica a letra, no entanto.

Fulfillingness First Finale (1974)


Michael Jackson Memorial (2009)




Michael - O ícone injustiçado
Por Edu Soares

Quase uma semana depois da morte de Michael Jackson e fico pasmo com a capacidade que as pessoas têm de valorizar tardiamente seus ídolos. No ano passado, mais precisamente no dia 29 de agosto, o cantor completou 50 anos de vida e não me lembro de ter visto nenhuma comemoração referente a data. Insatisfeito, dei uma rápida olhada no Google para ver se existiu na ocasião algum “enterro dos ossos” ou pelo menos um bolinho de R$ 10,00 (daqueles que você compra na padaria do Seu Manoel, bem perto da sua casa) dado pelos fãs. Levei dez minutos e parei. A informação mais “emocionante” que vi foi do site G1: “No dia em que completa 50 anos, o cantor Michael Jackson disse que se sente "muito sábio, mas ao mesmo tempo muito jovem" em entrevista ao programa "Good morning America". Ele conversou com os apresentadores por telefone a partir de sua casa na Califórnia. Ele disse que passará o dia de seu aniversário com seus filhos Prince e Paris Michael de forma tranqüila, escutando discos de James Brown. Vou comer um bolinho com meus filhos e nós provavelmente vamos assistir a alguns desenhos, disse o cantor, que trabalha atualmente em seu novo álbum de inéditas. Falando em tom muito baixo e suave, Jackson disse que ainda não solicitou um cartão da associação dos aposentados (nos Estados Unidos, possível a partir dos 50 anos de idade). ‘Mas você nunca sabe. Eles [da associação] te encontram aonde você esteja.’ Ele afirmou que é capaz de fazer os passos de dança que lhe deram fama e ‘muito mais’.”

A mobilização que o mundo inteiro faz nesses dias post mortem não foi vista no dia do cinqüentenário dele, que talvez por isso optasse por ficar em casa junto com os filhos, “assistindo desenhos e ouvindo James Brown”. Deve causar uma sensação de vazio enorme para qualquer estrela. Num passado distante, o cara era o cantor mais idolatrado do planeta e depois de algum tempo as mesmas pessoas simplesmente o ignoravam devido a avalanches continuas de informações manipuladas ou maldosas ao seu respeito. Virou moda falar mal de MJ, assim como tecer algum comentário com teor de fim de carreira. A própria reportagem usou o termo “falando em tom muito baixo e suave” e o termo de certa forma foi até um elogio se comparado as inúmeras reportagens que colocavam o Rei do Pop na lama.

Tudo bem, o cara também ajudou a fermentar o recheio midialista-sensacionalista com suas sucessivas cirurgias plásticas no rosto. Segundo especialistas, a tal obsessão em mudar a face tem até nome - distúrbio dismórfico corporal (DDC) - , que é na verdade uma neurose onde o doente tem uma preocupação excessiva com um defeito real ou imaginário na sua aparência física. As mesmas possuem uma visão distorcida e exagerada de sua aparência e são obcecados com as características físicas reais ou marcas perceptíveis. Por algum motivo, MJ sempre quis ser uma eterna criança. Não podemos dizer que ele teve infância, já que desde cedo o pai (frustado por não ter sido uma estrela da musica negra) o obrigava a cantar e dançar com os irmãos. Acredito que Michael nunca tenha amadurecido o suficiente a ponto de ser considerado um adulto. Sua alma parou no tempo, provavelmente na época em que ele queria ser simplesmente uma criança alegre que dançava e cantava muito bem. Neverland, os inúmeros (e caros) brinquedos e a presença constante de crianças no rancho eram a prova disso.

Por falar nisso, em meados de 1993 Jordan Chandler sacudiu o mundo ao afirmar que foi molestado por MJ, o que deu inicio a uma imagem que o Rei do Pop carregou até o ultimo suspiro. Dezesseis anos depois (e US$ 22 milhões a mais na conta dos pais) o sujeito vem a tona dizer que tudo não passou de uma mentira esquematizada por seu pai.

Nunca fui muito fã de MJ. Gostava, e acredito que o mundo inteiro também, do seu modo inusitado e carismático de dançar. Devo ser um dos pouquíssimos caras no mundo que não gosta (musicalmente) de Thriller. E para piorar, a música que mais me fascina vem justamente de um álbum que foi esculhambado pela crítica especializada (e a galera do tipo “Maria-vai-com-as-outras seguiu a mesma opinião). O videoclip de “You Rock My World” está no meu Orkut há pelo menos três anos. Gosto demais da temática “gangsters brigando no bar”. Lembra um pouco o ar de “Bad”. Agora, as pessoas precisam entender que nem todo dia o cara vai criar algo inovador. Cobravam de MJ que todos os álbuns fossem do mesmo quilate do Thriller. Ora bolas, eu não consigo desempenhar a mesma performance no trabalho todos os dias. O melhor ator de teatro não vai acertar sempre a mão na escolha de suas peças. O melhor piloto de automobilismo um dia vai cometer algum tipo de erro. Não vai ser por isso que eu deixarei de ser um bom profissional. O ator não perderá o talento com uma escolha infeliz. O piloto não será um “roda presa” depois de um erro bobo. Todo mundo tem altos e baixos. MJ teve o seu “alto” nos anos 80. Isso quer dizer que o restante da carreira foi apenas de “baixos”? Não acho.

O mundo perdeu um ícone. A musica não sofria uma baixa tão significativa desde a morte de Elvis Presley. Dois superstars que sofreram nos últimos anos de suas carreiras. Carreiras essas que foram abreviadas.
Para muitos, Michael Jackson transformou-se num rascunho do Rei do Pop. Não estou discutindo suas esquisitices. Pela música, pela atitude, MJ será simplesmente mito. E como todos sabem, mitos nunca morrem.

http://seriguelamarela.blogspot.com/

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