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quinta-feira, 8 de março de 2012

Abate alienígena

Se desde pequenos fôssemos separados de nossas famílias e vendidos a um grupo de alienígenas mercenários sedentos por sangue e diversão, qual seria a melhor forma de não ser abatido alienigicamente? Botar um ovo de ouro ou ser um humano de estimação?

Ter uma bela voz, viver em uma gaiola ou bordel, ou fazer contas mirabolantes?

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Do Consumo de Carne - Plutarco [Trecho II]

Do Consumo de Carne” (Ou "Sobre Comer Carne")
Título original: On The Eating of Flesh (Περὶ σαρκοφαγίας)

Tradução: Leandro Loan

Fonte (em inglês): Plutarch, Moralia (Vol. XII) - De Seu Carnium - P537
http://penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Roman/Texts/Plutarch/Moralia/De_esu_carnium*/home.html
http://www.animal-rights-library.com/texts-c/plutarch01.htm



 [Trecho II]

A razão nos invoca agora com novas idéias e um novo desvelo para ingressarmos de novo em nosso discurso de ontem sobre o consumo de carne. É, de fato, uma tarefa difícil, como Cato uma vez disse, engendrar uma disputa contra a barriga dos homens, que não têm ouvidos [nem olhos], desde que a maioria já bebeu daquela bebida de costume, como é próprio de Circe.


Misturando dores e espasmos, truques e lágrimas;


nem é fácil retirar o anzol de comer carne, pregado como está e embebido no prazer da luxúria. E, como os Egípcios, que extraem as vísceras dos mortos e abrem seus corpos à vista do Sol e, então, jogam-nas fora como se fossem a causa de cada pecado que a pessoa cometeu, seria interessante extirparmos nossa gula e derramamento de sangue para nos purificarmos pelo resto da vida, desde que não é exatamente a nossa barriga a responsável pela corrupção da morte; somos poluídos por nossa incontinência. Ainda que, pelo amor de Deus, seja impossível nos desvencilharmos do erro porque já estamos há tempos habituados a ele, tenhamos pelo menos vergonha dos nossos atos. Que se coma por fome, não por luxúria. Que matemos um animal, mas o façamos com tristeza e piedade, nem os abusando nem os atormentando, como muitos hoje em dia estão acostumados a fazer, colocando espetos em brasa no corpo dos suínos para, com o ferro, emulsionar o sangue e, enquanto este circula pelo corpo, possa tornar a carne delicada e macia. Outros pulam sobre o úbere das porcas grávidas e os chutam, para que, quando o sangue, o leite e a coagulação estiverem misturados (que Zeus os purifique!) e os fetos estiverem ao mesmo tempo destruídos no momento do nascer, eles possam comer as partes inflamadas das criaturas. Ainda há outros que costuram os olhos de grous e cisnes, trancando-os na escuridão para serem engordados e, então, condimentam sua carne com monstruosas misturas e temperos apimentados.

2. A partir dessas práticas, é claramente evidente que não é para nutrição, necessidade ou carência, mas por mera luxúria, insolência ou gula que transformaram esse hábito desregrado em prazer. Então, como mulheres insaciáveis em busca pelo gozo, a sua lascívia experimenta de tudo, se perde, e explora toda a gama de libertinagem até que finalmente se acaba em práticas inomináveis, assim, a intemperança em comer vai além do necessário e recorre à crueldade e desordem para dar variedade ao apetite. Para os sentidos, uma vez que abandonam suas medidas naturais, simpatizam uns com os outros pelos seus destemperos, e são atraídos ao mesmo consenso e intemperança. Assim um ouvido corrompido primeiramente escutou música debochada, e as notas suaves e efeminadas que provocam toques indecentes e lascivas cócegas. Essas coisas ensinaram o olho a não se deliciar em danças pírricas, na gesticulação das mãos, ou em elegantes pantomimas, nem em estátuas e quadros refinados; mas para considerar o abate e a morte da humanidade, e as feridas e os duelos, assim como os mais suntuosos espetáculos. Deste modo, mesas desregradas são acompanhadas por copulações destemperadas, músicas desarmônicas são seguidas por vergonhosos deboches, espetáculos bárbaros acompanham canções descaradas, a insensibilidade e crueldade em direção à humanidade é seguida por exibições selvagens nas casas de teatro. Foi por esta razão que o divino Licurgo em seus Três Livros da Lei deu ordens para que as portas e arestas da casa dos homens fosse feita com serra e machado, e que nenhum outro instrumento seria trazido a qualquer outra casa. Não que intencionasse declarar guerra contra brocas e níveis, e outros instrumentos de trabalho mais refinado, mas porque ele sabia muito bem que com essas ferramentas ninguém nunca traria para sua casa um sofá dourado, e ninguém nunca tentararia trazer a um chalé pequeno mesas de prata, carpetes de púrpura ou pedras preciosas; mas, um jantar caseiro e um almoço simples devem acompanhar tal casa, mesa e copos. O início de uma dieta viciosa é seguida por toda sorte de luxúria.

Como um potro desmamado ao lado de sua mãe corre.

3. E que tipo de refeição não é cara? Aquela em que nenhum animal foi posto a morte. Devemos considerar uma alma um custo pequeno? Não chegarei a dizer que bem poderia ser a vida [reencarnada] de sua mãe, ou de seu pai, ou de um amigo ou de uma criança, como Empedocles uma vez declarou; mas daquele participante do sentimento, da visão, da escuta, da imaginação e do intelecto; que cada animal recebeu da Natureza para a aquisição do que lhe é agradável, e para a repulsa do que lhe desagrada. Considere isso você, agora, que tipo de filósofos serviriam melhor para nos humanizar e civilizar: aqueles que nos sugerem comermos nossos próprios filhos e amigos e pais e esposas, depois de sua morte, ou Pitágoras e Empédocles, que tentaram nos habituar a agir justamente com as outras criaturas do planeta? Você ridiculariza o homem que se abstém de comer uma ovelha. Mas deveríamos nos privar de rir, diriam eles, quando vemos vocês cortando pedaços de um pai morto ou de uma mãe e os enviando para amigos distantes e convidando as pessoas presentes a comerem livremente e cordialmente os restos de suas carnes? Mas talvez cometemos um pecado quando tocamos esses livros sem lavarmos nossas mãos e nossos rostos, nossos pés e nossos ouvidos – a menos, por Deus, que seja uma purificação desses próprios membros falar sobre tal assunto dessa maneira, “lavando”, como diria Platão, “a salmoura dos ouvidos de alguém com a água fresca do discurso”. Se alguém deveria comparar esses dois volumes de livros e doutrinas, o primeiro pode servir de filosofia para os Scitios e Sodianos e os Capas Negras, cujas estórias contadas por Heródoto não tiveram crédito; mas os preceitos de Pitágoras e Empédocles foram as leis para os Gregos antigos, ao longo de sua dieta de trigo..... [texto recortado]

4. Quem então foram os autores da seguinte opinião?

O primeiro a forjar a espada da estrada assassina,
E o primeiro a comer a carne de um boi no arado

Este é o caminho, sem dúvidas, no qual tiranos começaram seu trajeto de massacres sanguinolentos. Assim como, por exemplo, em Atenas, abateram inicialmente o pior dos sicofantas e, depois dele, colocaram à morte um segundo e depois um terceiro. Após isso, estando acostumados ao derramamento de sangue, pacientemente viram Niceratus, o filho de Nicias, e seu general Theramenes e Polemarchus, o filósofo, sofrerem lentamente até a morte. Da mesma forma, no começo era um animal selvagem e perigoso que era comido, então um pássaro ou peixe que tinha sua carne despedaçada. E, então, quando nossos instintos assassinos experimentaram sangue e cresceram a partir da morte dos animais selvagens, avançaram para os bois e para as ovelhas bem-comportadas, e para os galos de casa; Pouco a pouco dando aresta firme para nosso apetite insaciável, avançamos para guerras e massacres de seres humanos. Ainda, se alguém uma vez demonstrar que as almas em renascimento fazem uso de corpos comuns e que o que hoje é racional se reverte em irracional, e que o que hoje é selvagem se transforma em doméstico, e que a Natureza muda tudo e atribui novas moradas,

Vestindo almas com diferentes casacos de carne;

isso não deterá o elemento desregrado naqueles que já adotaram a doutrina de implantar indigestão e doenças em nossos corpos, e de perverter nossas almas para uma desordem ainda mais cruel e insana, assim que nos livrarmos do hábito de entreter nossos convidados ou de celebrar um casamento ou amizade a partir do derramamento de sangue?

5. Embora, se o argumento da migração das almas de corpos em corpos não for demonstrado até o ponto de completa aceitação e crença, a própria incerteza deveria nos preencher de atenção e medo. É como se, em um ataque noturno, tivesse você desembainhado sua espada e estivesse prestes a se precipitar sobre um homem caído, cujo corpo estivesse escondido sobre a própria armadura e você escutasse alguém relembrando-o que não tinha tanta certeza, mas que acreditava que a figura prostrada era do seu filho ou do seu irmão ou de seu pai ou companheiro de exército. Qual seria o melhor caminho: aprovar a falsa suspeita e poupar seu inimigo como amigo, ou negligenciar uma autoridade incerta e matar seu amigo como seu inimigo? O último caminho seria declarado como chocante.

Considere a famosa Merope na tragédia, que, levantando uma machadinha contra o próprio filho, o qual ela acreditava ser o assassino do mesmo, disse:

E este golpe que lhe dou é ainda mais custoso;

Que agitação ela causa no teatro, trazendo todos a seus pés, em horror, ao livrar-se do homem que a tenta impedir, se preparando para ferir o jovem. Agora, suponha que um homem estivesse ao seu lado dizendo: “Ataque! é seu inimigo,” e outro, do outro lado dizendo: “Espere! é seu filho”; qual seria a maior injustiça, impedir a punição de um inimigo por causa do filho, ou abater uma criança sob o impulso da raiva contra um adversário? Em um caso, no entanto, em que não é nem ódio, nem raiva, nem auto-defesa e nem medo por nós mesmos que nos induz a matar, mas o simples motivo do hedonismo, e a vítima permanece ali, sob nosso poder de escolha, com o pescoço inclinado, e um de nossos filósofos diz: “Mate-a! É apenas uma besta.” E outro clama: “Espere, e se houver uma alma de um ente querido ou de um amigo dentro dele?” – Bons deuses! Haveria o mesmo perigo se eu me recusasse a comer carne, como se eu por vontade e fé matasse meu próprio filho ou outro amigo?

6. O modo de pensar dos estóicos sobre o tema do consumo da carne é de maneira alguma igual ou coerente a eles. Por que qual é grande “tensão” entre suas barrigas e cozinhas? Por que, estes, que associam o prazer ao feminino e que o denunciam como nem sendo algo bom nem preferível, ou como nem sendo um “princípio avançado” nem algo “comensurado com a Natureza”, de uma hora para outra se tornam advogados zelosos do prazer? Seria certamente uma conseqüência racional de sua doutrina que estes, ao banir perfumes e bolos de seus banquetes, devessem ser muito mais aversos a sangue e carne. Agora, como se quisessem reduzir sua filosofia a seus próprios diários, diminuem as despesas de seus jantares em questões desnecessárias, mas a parte desumana e cruel de suas despesas não é incomodada. “É claro”, dizem eles, “nós humanos não temos nenhum pacto de justiça para com os animais irracionais”. Nem teria você, alguém poderia replicar, qualquer tipo de pacto com o perfume ou com doces exóticos, igualmente. Abstenha-se de animais também, se está expelindo tudo o que for desnecessário e inútil.

7. Vamos considerar, portanto, se devemos ou não justiça aos outros animais não-humanos; mas vamos fazê-lo sem artifícios ou sofismos, fixando nossa atenção em nossas próprias emoções, conversando como seres humanos e pesando e analisando cada questão.   . . .

[O resto do manuscrito está perdido, se um dia foi completo]


Trecho I  - Tradução: Leandro Loan

segunda-feira, 9 de maio de 2011

A minha reação perante a morte de Osama Bin Laden

"Poderíamos perguntar a nós mesmos como reagiríamos se tropas iraquianas pousassem na casa de George W. Bush, assassinassem-o, e jogassem seu corpo no Atlântico. Indiscutivelmente, seus crimes excederam os de Bin Laden em vastidão [...]" (Noam Chomsky, em My Reaction to Osama bin Laden's Death)

É algo a se pensar...

Por Noam Chomsky

It’s increasingly clear that the operation was a planned assassination, multiply violating elementary norms of international law. There appears to have been no attempt to apprehend the unarmed victim, as presumably could have been done by 80 commandos facing virtually no opposition—except, they claim, from his wife, who lunged towards them. In societies that profess some respect for law, suspects are apprehended and brought to fair trial. I stress “suspects.” In April 2002, the head of the FBI, Robert Mueller, informed the press that after the most intensive investigation in history, the FBI could say no more than that it “believed” that the plot was hatched in Afghanistan, though implemented in the UAE and Germany. What they only believed in April 2002, they obviously didn’t know 8 months earlier, when Washington dismissed tentative offers by the Taliban (how serious, we do not know, because they were instantly dismissed) to extradite bin Laden if they were presented with evidence—which, as we soon learned, Washington didn’t have. Thus Obama was simply lying when he said, in his White House statement, that “we quickly learned that the 9/11 attacks were carried out by al Qaeda [...]

[...] http://www.commondreams.org/view/2011/05/07-5

Versão traduzida em Português

quarta-feira, 30 de junho de 2010

O Tempo e a Qualidade

Pesquisando em alguns cds de backup antigos, descobri, guardado entre arquivos, este texto escrito em 2004 e que eu nem me lembrava de que havia feito. O tempo realmente prega peças.

O Tempo e a Qualidade de vida

Leandro Loan
12/2004

O tempo, que é uma concepção abstrata, pode ter muitas definições assim como pode ser relacionado de várias formas. Hoje em dia, no mundo moderno, vemos que a maioria das pessoas vivem numa relação de inconformismo com o tempo. Essa conduta é prejudicial, e é uma das maiores causas do 'stress', que vem abalando milhares de pessoas de vários países.

Desde os primórdios da civilização, o homem tenta controlar e manipular o tempo. A partir do século XVIII, com a Revolução Industrial, acentou-se essa tentativa, afim de obter índices de produção cada vez mais altos. Na famosa 'correria do dia-a-dia'; na competição injusta entre os homens [e as mulheres]; na exploração que ocorre nas grandes e até nas pequenas empresas; na perspectiva materialista que transforma o dinheiro em fim e não meio como realmente deveria ser. Essa alienação distancia-nos da nossa verdadeira essência. Uma essência que é fruto da Terra, que possui seu próprio tempo, seu ritmo biológico. Nessa corrida contra o 'tempo', desmatamos florestas, danificamos o solo, poluímos os rios e a atmosfera e, assim, reduzimos nossos recursos de sobrevivência. Escravo da ganância, o homem acaba por ser manipulado pelo próprio tempo.

Estudos da cronobiologia, disciplina científica que trata dos ritmos biológicos, mostram que alterações nestes [ritmos] podem ser muito prejudiciais ao homem, causando distúrbios de vários tipos. Um exemplo disso está no 'horário de verão', quando distúrbios como mau-humor, insônia e até depressão podem facilmente ser encontrados em muitas pessoas.

O stress pode ser uma forma de resposta ou aviso do corpo à preocupação excessiva da mente, assim como as mudanças climáticas que percebemos ultimamente no planeta são as respostas aos abusos por parte do homem. Se respeitarmos o tempo biológico, cuja essência é muito mais profunda do que imaginamos, veremos que a natureza 'trabalha' ao nosso favor, a favor de todos.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Religião do futuro

"A religião do futuro será cósmica e transcenderá um Deus pessoal, evitando os dogmas e a Teologia. Abrangendo os terrenos materiais e espirituais, essa religião será baseada num certo sentido religioso procedente da experiência de todas as Coisas, naturais e espirituais, como uma unidade expressiva ou como a expressão da Unidade." - A. Einstein

Essa frase de Albert Einstein sobre o que seria a "religião do futuro" lembrou-me de outra, por John Lennon, e que foi tão mal interpretada pelos cristãos, em geral...

"Christianity will go. It will vanish and shrink. I needn't argue about that. I'm right and I will be proved right. We're more popular than Jesus now. Jesus was all right, but his disciples were thick and ordinary. It's them twisting it that ruins it for me. I don't know which will go first - rock and roll, or Christianity." - J. Lennon

"O Cristianismo vai seguir seu caminho. Desaparecerá e encolherá. Não preciso argumentar sobre isso. Estou certo e o tempo provará. Nós somos mais populares do que Jesus agora. Jesus era legal, mas seus discípulos eram grossos e ordinários. O fato de eles distorcerem as coisas é o que arruína tudo, para mim. Não sei o que irá primeiro, o rock'n'roll ou o Cristianismo."

Love is my religion, Ziggy Marley

sábado, 26 de junho de 2010

Castaneda e as vacas


"A recapitulação de nossa vida não termina nunca, não importa que tenhamos recapitulado direito. O motivo de as pessoas comuns não terem vontade própria nos sonhos é nunca terem recapitulado, e suas vidas ficam cheias até a borda de emoções, como lembranças, esperanças, medos, etc. Os feiticeiros são relativamente livres de emoções pesadas e opressivas, por causa da recapitulação. E se alguma coisa faz com que eles fiquem bloqueados, a suposição é que ainda existe alguma coisa neles que não está suficientemente clara. Recapitular e sonhar andam lado a lado. À medida que regurgitamos nossas vidas nós ficamos mais e mais leves." p.167

Dom Juan Matus em A Arte do Sonhar, de Carlos Castaneda