Pra quem ainda desconfia de que essa vida pode ser um grande sonho - de um sábio chinês ou de uma borboleta.
"Sonho que se sonha só
É só um sonho que se sonha só
Mas sonho que se sonha junto é realidade" (Raul Seixas)
idéias, textos, poesias sob(re) a mente
"[...] sussuro sem som, onde a gente se lembra do que nunca soube," G.R.
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Hans Zimmer - Old Souls (Inception Soundtrack)
sábado, 23 de julho de 2011
That's it
Em homenagem à Amy Winehouse, não importando a causa exata de sua morte. Eu nem era fã de suas músicas, mas respeito seu trabalho.
"You know why I've got a block against this bullshit?
Because this is what gets people on drugs."
That's it
Scanner Darkly é um filme de animação de 2006, inspirado no livro homônimo de Philip Dick, cuja estória trata sobre o tema de drogas e vício. Foi baseado na própria experiência do autor, que viu a vida de vários de seus amigos ser jogada no ralo, em consequência direta ou indireta das drogas. No entanto, questiona se a droga é de fato o problema real - ou, final. A droga é um problema, mas em muitos casos pode ser apenas a ponta de um iceberg, muito maior. É do mesmo diretor de Waking Life.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Bedazzled - 1967 (legendado)
Assisti esse filme quando pequeno e na época já era engraçado. É um clássico britânico do ano de 1967, uma comédia genial sobre um cara que vende sua alma ao diabo em troca de sete desejos. Fizeram uma reversão dele em 2000, chamado Endiabrado.
Trilha sonora do filme.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
A origem - "The inception"
Semana passada, assisti ao filme A origem (Inception) nos cinemas. Não gostei e ainda fiquei com "raiva de quem gostou". Depois de conversar com uma pessoa e dizer-lhe o que achava, porém, eu fiquei pensando sobre a estória e no porquê da minha reação (repulsiva) a ela. "Por que mexeu comigo assim?". Primeiro porque eu havia criado uma expectativa boa, pelo tema de sonhos - que eu particularmente gosto - para no final, entretanto, essa mesma expectativa ir por água abaixo: O filme, além de cru, é cruel. Poderia ter demorado mais para ser feito, e a "moral da história" inexiste. Segundo porque, ainda assim, me fez pensar.
Já vi vários filmes de bandidos antes, em que bandidos eram protagonistas e bandidos eram "heróis", mas nunca me dei conta, outrora, de como podemos ser influenciáveis, em vários sentidos. O tema do filme é esse, por sinal. Inserção - no caso, de idéias. A diferença é que essa inserção, aqui, se dá pelo meio de sonhos. O que antes era espionagem industrial dá lugar ao implante de conceitos por intermédio de sonhos e sedativos.
DiCaprio é Dorn Cobb, um 'Extrator', um moderno ladrão de devaneios. O filme carrega uma sensação de nado sincrozinado, onde cada um executa sua parte como coreografado, mas aqui há um senso de irrealidade que faz impossível relacioná-lo (o nado) a qualquer um dos personagens. Há um bocado de perseguição de carros, grandes explosões, e fantásticos cenários e paisagens urbanas; seria mais preciso definí-las como paisagens oníricas, desde que não são encontradas no mundo real.
[...] A natureza clínica das ações desse Ewen Cameron dos dias modernos faz do simpático retrato de Cobb uma decepção, porque na vida real ele teria sido um frio clínico, impiedoso e cruel como Mengele, não um ladrão compassivo como o personagem de Humphrey Bogart, Rick Blaine, em Casablanca. (Inception Review) (ver sinopse)
Porém qual a diferença entre um sonho e realidade se, em ambas enganações, eu não tenho consciência do que está acontecendo? Estou sendo iludido e não sei que é um "sonho", de fato. Não faz "muita" diferença entre ser enganado em um sonho e na vida "real". Pensando nesse aspecto, pode-se criar um reflexo entre a realidade do "espectador" e a ficção do filme. Se eu assisto a um filme e vibro com ele, eu estou, de certa forma, vivendo-o e realizando-o. Se eu assisto a um filme de bandido e eu torço para que o bandido vença, eu vivencio a mente... de bandido. Mais assustador, ainda, é saber (ou se dar conta de) que essa mente de bandido não saiu da cartola. Saiu da cabeça. E a cabeça saiu de onde?
A psicologia já foi trabalhada em outros filmes do diretor, como Dark Knight e Batman Begins. São as cordas simpáticas que encontram ressonância nos recônditos mais profundos de nossa mente¹. O filme pode ser analisado por horas, sob(re) diversos prismas e portas - inclusive a respeito de suas falhas e clichês. Pela questão ética (talvez o principal prisma dessa crítica), o que dizer? A corrupção é sua espinha - dorsal. Mas a corrupção, no entanto, é um nome para a falta de alguma coisa, ou melhor, a deturpação de algo que existia antes. Pensando em relatividade, além da corrupção para o mal seria possível também corromper para o bem, por que não? Isso depende do ponto de vista e, de fato, faz cada vez mais sentido em um mundo com tantas notícias e desilusão. Mas o bem, ainda assim, é um rótulo, para designar a falta de mal nas coisas. No fundo, Bem e mal não existem. Ou melhor, só existem um em relação ao outro. Agora, por exemplo, ao ler esse texto, você está pensando se está sendo "bom" ou "mau"? Ler, em si mesmo, não configura um mal - ou bem. Ler não configura nada, assim como o nada configura tudo - ou, pelo menos, algo. Eu já tentei imaginar um paraíso, perfeito, mas nele não há pessoas, porque a conta não fecha. - o que faz-me crer que a Terra assemelha-se muito a um inferno ou, então, a um sonho de um sábio chinês, meio esquecido... O sonho do sonho do sonho do sonho, de várias pessoas entrelaçados.
Talvez o paraíso seja um processo. Parte de um ciclo. Uma re-conciliação. Um res-gate. Um eterno "entrar no portal" novamente. Quando se está bem, não se pensa que está bem. Quando se está no paraíso, nem conhecemos essa palavra.
É, viajei. Mas voltando à Origem: O filme, ao focar na vida do protagonista, "travestindo"-o de herói e estrela, tenta fazer o espectador esquecer-se da origem de toda a trama, assim como acontece à própria vítima da estória, que é ludibriada ao esquecer-se de que tudo aquilo é um sonho, não a realidade. O protagonista do filme é um ladrão, um invasor de mentes e segredos, que participa, juntamente com os outros personagens, de um grande plano de enganar uma pessoa. Será que com toda a ação e complexidade da trama é possível esquecer-se desse "detalhe"? Por alguns segundos ou minutos sim, porque a ação é sedutora. Os detalhes surpreendentes. Don Juan Matus, personagem dos livros de Carlos Castaneda, já alertava seu(s) discípulo(s) a não se perder nos detalhes dos sonhos, porque eles nos enganam. "A origem" bebe da mesma fonte quando apresenta cidades inteiras, construídas por um arquiteto e entregues a um sonhador².
Concluindo, antes que eu me esqueça: Se eu me enojei com o filme, enojei-me a mim mesmo. Não há como um filme ser absolutamente ruim ou bom. Depende de quem vê. Eu confrontei a face do mal. Mas o mal não está fora, está dentro.
Dois links interessantes:
¹ O cérebro reptiliano
² A arte do sonhar
