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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Acme Inc.

Depois que fiz o post do It takes one to (not) know one, meu tio disse pra mim: "Atrás de todo vegetariano há um carnívoro voraz". Lembrei do Papa!

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Invention of Lying (2009)

Ou "o Primeiro Mentiroso".

Esse é o filme mais verdadeiro que já vi. Mentira. Houve outros. The Invention of Lying é um filme sobre uma cidade fictícia na qual não se conhece a palavra "mentira" (e consequentemente nem a "verdade") onde todos os habitantes sempre dizem tudo o que vem à mente, até que um cidadão espontaneamente "descobre" a mentira. No início fica perplexo, depois percebe sua utilidade e, consequentemente, seus poréns. Tenta ensinar a técnica aos amigos, no entanto eles não têm a mínima idéia do que está falando - é "outra dimensão" -, então resolve explorar sozinho, e assim tem que se virar a cada dia pra sustentar as mentiras que cria para os outros, sempre ansiosos para ouvir novas estórias histórias - não necessariamente coerentes ou belas, assim como acontece ao filme. Tem suas quebras de lógica - como tudo na vida - mas é bem feito. Feito pra pensar e rir - ou rir e pensar - e pensar sobre como nossas vidas são construídas em cima do poder da sugestão. Do poder da persuasão alheia e do nosso poder de persuasão sobre os outros. Como a sociedade, as empresas, as instituições, as relações entre as pessoas e a nossa própria concepção de eu não é algo tão sólido quanto queremos imaginar - e é bom imaginar, é mais seguro -- ou é bom imaginar que é mais seguro. O próprio dinheiro - e isso é mostrado no filme de forma cômica mas na vida real é o que acontece de verdade - é bastante ilusório:

"O sistema bancário moderno fabrica dinheiro a partir do nada. O processo é talvez a mais espantosa peça de prestidigitação alguma vez já inventada. A banca foi concebida na desigualdade e nasceu no pecado... Os banqueiros possuem a terra. Tome-a deles mas deixem-nos o poder de criar dinheiro e, com um toque de caneta, eles criarão bastante dinheiro para comprá-la outra vez... Retirem-lhes este grande poder e todas as grandes fortunas, como a minha, desaparecerão, e então isto seria um mundo melhor e mais feliz para nele viver... Mas se quiserem continuar a serem escravos de banqueiros e pagarem o custo da sua própria escravidão, então deixem os banqueiros continuar a criar dinheiro e controlar o crédito." (Ellen Brown, em a Teia da Dívida)

Woody Allen recentememente fez um filme falando sobre isso, ou melhor, sobre como a vida pode ser ultrapassada se nos ateu-rmos ao real, apenas. De fato, a ignorância é uma benção. Ao mesmo tempo, mostra-nos como a vida pode ser ultrafutura e longínqua, se idolatrarmos modelos e estátuas... You Will Meet A Tall Dark Stranger é um título bom para este filme que, no Brasil, teve seu nome trocado por "Você Vai Conhecer O Homem dos Seus Sonhos". Por causa desse nome, demorei mais pra ir assistí-lo. Mas tentei abster-me dos modelos e gostei. O que gostei foi a simplicidade com que mostra as causas e as consequências da vida, com um toque bastante irônico (e sarcástico) quando faz seus personagens experimentarem seus próprios karmas e, ainda assim, ser leve e engraçado. Quase espiritual. Um belo conto de "som e fúria".



Quem assistiu Guerra nas Estrelas reconhecerá o poder da hipnose Jedi nesse filme. Conforme Anakin Skywalker, só funciona nas mentes mais fracas.



Mais sobre:
Woody Allen volta com comédia sarcástica
A vida é um conto cheio de som e fúria
Invention of Lying - Is She Your Sister?

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Scriptease #56 - Ex-BBB!

Ótimo experimento social (assista até o fim!)



Lembra um pouco a estória da Roupa Nova do Rei. ou a Namorada de Aluguel.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Sakineh, uma mulher como nós

Por Martha Medeiros

Adoçantes não calóricos. Massagem com compressas de ervas quentes. Máquinas high-tech para eliminar a celulite. Modelador térmico para criar cachos naturais. Esmalte de tratamento para unhas frágeis. Clareador de manchas com ácido bio-hialurônico. Hidratante bloqueador de radicais livres. E sigo folheando uma adorável revista feminina, que nos conduz a um mundo onde tudo é lindo, glamouroso e caro, mas sonhar não custa nada, e viro mais uma página, e outra, enquanto penso: uma moça chamada Sakineh Mohammadi Ashtiani pode morrer apedrejada a qualquer momento por um suposto adultério cometido anos atrás.

Mulheres se candidatam à presidência, dirigem empresas, pedem o divórcio, viajam sozinhas, investem na sua vaidade, mas nenhuma dessas conquistas pode nos orgulhar enquanto ainda houver o costume de enterrar uma criatura no chão com apenas a cabeça de fora para que leve pedradas de diversos homens – e não podem ser pedras GG, tem que ser as de tamanho M, pois exige-se que o suplício seja longo. Que tom de gloss será conveniente para assistir ao badalado evento?

Sei que há diversas outras modalidades de desrespeito aos direitos humanos, inclusive no Brasil, mas neste momento estou vestindo a camiseta da Sakineh. Quero falar sobre o ato primitivo de se apedrejar uma mulher na cabeça até a morte. Não discuto o motivo torpe da condenação, pois nem que ela tivesse matado alguém, em vez de simplesmente ter feito sexo com alguém, seria justificativa. Não há justificativa para a brutalidade. É a lei do Irã, é a religião do Irã, é a tradição do Irã, e daí? Quando meu estômago embrulha, é sinal de que algo bem perto de mim está acontecendo. Distância só existe quando a gente racionaliza, o sentir unifica. O Irã faz parte do mundo em que eu vivo. O meu tempo e o da Sakineh são o mesmo. Somos contemporâneas. Ela não é um personagem, existe. Tem filhos. E se a mobilização internacional não surtir efeito, em breve será enterrada até a altura do busto, com os braços presos para não poder proteger o rosto.

O que dói, mais do que tudo, é reconhecer que avançamos tanto e ainda não conseguimos atingir um grau de humanidade que seja comum a todos, homens e mulheres de qualquer lugar e de qualquer crença. O que podemos fazer por Sakineh? Rezar para que ela seja enforcada, que é o plano B. Ufa, seria um alívio.

Há uma petição circulando pela internet. Acredito tanto na eficiência desses abaixo-assinados como acredito em creme antirrugas, mas volto a dizer: sonhar não custa nada. www.liberdadeparasakineh.com.br Eu já assinei. Agora vou passar meu incrível tônico de renovação celular “future solution”, pois, como qualquer mulher, adoro cuidar da minha pele.

Martha Medeiros

Fonte: ZH

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"Não espere o juízo final. Ele realiza-se todos os dias." (Albert Camus)