Por James McWilliams
11/16/2011
Tradução: Leandro Loan
Não há uma única pessoa que fez mais para combater a mudança climática do que Bill McKibben. Através de livros densos, contribuições ubíquas em revistas e jornais, e, o mais notável, a fundação da 350.org (uma organização internacional não-lucrativa dedicada a lutar contra o aquecimento global), McKibben tem comprometido sua vida a salvar o planeta. Por toda a paixão abastecendo seus esforços, no entanto, há algo ainda estranhamente confuso em sua abordagem para reduzir emissões de gás de efeito estufa: nem ele, nem a 350.org promoverão ativamente uma dieta vegana.
Dada a natureza de nosso atual discurso sobre a mudança climática, essa omissão pode não parecer um problema. Veganos ainda são considerados uma espécie de “out there”, um grupo marginalizado de ativistas pelos direitos dos animais com pele pastosa e problemas protéicos. Entretanto, como um recente relatório do World Preservation Foundation confirmou, ignorar o veganismo na luta contra a desordem climática é como ignorar o fast food na luta contra a obesidade. Esqueça acabar com o carvão sujo ou com dutos de gás natural. Como o relatório do WPF indica, o veganismo oferece a única e mais efetiva forma de reduzir a mudança climática global.
A evidência é poderosa. Comer uma dieta vegana, de acordo com o estudo, é sete vezes mais eficaz em reduzir emissões do que comer uma dieta local a base de carnes. Uma dieta vegana global (de culturas convencionais) reduziria emissões de dieta em 87 por cento, comparado a míseros 8 por cento de “carne sustentável e laticínios”. Na luz do fato de que o impacto ambiental total da pecuária é maior que a queima de carvão, o gás natural e o petróleo, esse corte de 87 por cento (94 por cento se as plantas fossem cultivadas organicamente) chegaria bem perto de colocar 350.org fora de funcionamento, o que eu tenho certeza que faria McKibben um cara feliz.
Há muito mais a considerar. Muitos consumidores pensam que podem substituir galinha por bife e fazer uma diferença considerável na sua pegada dietética. Nem tanto. De acordo com um estudo de 2010 citado no relatório da WPF, tal substituição conseguiria uma “redução em rede do impacto ambiental” de 5 a 13 por cento. Quando se trata de diminuir os custos de uma mudança climática branda, o estudo mostra que uma dieta isenta de ruminantes reduziria os custos do combate à mudança climática em torno de 50 por cento; uma dieta vegana faria isso em torno de 80 por cento. Globalmente, o ponto se apresenta bastante forte: o veganismo global faria mais do que qualquer outra ação para reduzir as emissões dos GEE (gases do efeito estufa).
Então por que o 350.org me diz (em um email) que, enquanto está “bastante claro” que comer menos carne é uma boa idéia, “nós não tomamos de fato instâncias oficiais em questões como veganismo”? E por que raios não?! Por que uma organização ambiental comprometida em reduzir emissões de gases de efeito estufa não se opõe oficialmente contra a causa mais larga de emissões GEE – a produção de carne e produtos derivados? É desconcertante. E enquanto eu não tenho uma resposta definitiva, eu tenho alguns pensamentos sobre a questão.
Parte do problema é que os ambientalistas, incluindo McKibben, são geralmente agnósticos sobre a carne. Um artigo recente que McKibben escreveu para a Orion Magazine revela uma outra forma de princípio ambientalista se degenerando na questão da carne. O tom é descaracterizadamente “fofo”, até mesmo popularesco, e totalmente fora de sincronia com a gravidade das questões ambientais na estaca. Além disso, seu apelo de que “Eu não tenho uma vaca nessa luta” é uma avaliação um tanto quanto surpreendente para alguém que é tão dedicado a reduzir o aquecimento global que supostamente mantém o termostato nos 50s em todo o inverno e evita férias destinadas com medo de estourar seus créditos pessoais de carbono. Eu penso que o homem tem cada vaca do mundo nessa luta.
Então à pergunta real: como explicar esse agnosticismo? O fato de que McKibben recentemente viajou para a Casa Branca para se opor à construção de um duto de gás natural (e foi preso no processo), dá uma dica de resposta. Imagino que apanhar depois de protestar contra um massivo projeto de duto é muito melhor para o perfil da 350.org do que ficar em casa, mastigando couve, e aconselhando outros a explorar veganismo. A esse respeito, os impactos benéficos comparativos do veganismo global contra a eliminação de gás natural das areias betuminosas do Canadá não tem qualquer importância. O que importa é agarrar um título ou dois.
Daí o “problema” com veganismo e ambientalismo. Desde que Silent Spring (a exposição de Rachel Carson sobre o perigo dos inseticidas) o ambientalismo moderno tem dependido de momentos de destaque (high-profile) na mídia para fortalecer sua base militante. O veganismo, entretanto, dificilmente se presta a esse papel. Embora esteja se apoderando sutilmente à sua própria maneira, tornar-se vegano é um ato inapropriado para a publicidade sensacionalista. Oleodutos e outras brutas instrusões tecnológicas, por contraste, não são apenas grosseiramente visíveis, mas fornecem-nos (a mídia) claras vítimas, criminosos, e uma obscura narrativa de declínio. Penso que essa distinção explica muito a vacilação de McKibben – para não mencionar os movimentos ambientalistas em geral – sobre a carne.
Outra razão para o agnosticismo prevalecente na carne tem a ver com a estética comparativa dos oleodutos e pastagens. Quando ambientalistas consumidores de carne são atingidos pela problemática da pecuária, eles quase sempre respondem argumentando que devemos substituir a pecuária de confinamento pelo pastejo rotacionado. Apenas desloque os animais de fazenda aos pastos, eles dizem. Não surprendentemente, é exatamente isso o que McKibben argumenta em seu artigo Orion, dizendo que “a mudança da pecuária de confinamento para o pastejo rotacionado é uma das poucas mudanças que poderíamos fazer que está na mesma escala do problema do aquecimento global.”
Tudo isso soa muito bem. Mas se as estatísticas no relatório da WPF são confiáveis, os impactos ambientais dessa alternativa seriam mínimos. Então por que a batida frenética em apoio ao pastejo rotacionado? Eu diria que o apelo subjacente à solução do pasto é algo não apenas desmedido mas irracional: de que animais pastoreados simulariam, ainda que imperfeitamente, padrões simbióticos que existiam antes dos humanos chegarem para estragar tudo. Nesse sentido, o pastejo rotacionado apóia um dos mais sedutores (se não perigosos) mitos existentes no núcleo do ambientalismo contemporâneo: a noção de que a natureza é mais natural na ausência de seres humanos. Colocado de outra maneira, o pastejo rotacionado discursa com vigor à estética ambientalista enquanto confirma um preconceito contra os ambientes artificiais; um duto, nem tanto.
Uma última razão pela qual McKibben, 350.org, e o ambientalismo mainstream permanecem agnósticos em relação à produção de carne está na idéia da ação pessoal. Para a maioria das pessoas, carne é essencialmente algo que cozinhamos e comemos. Naturalmente, é muito mais que isso. Porém para a maioria dos consumidores, a carne é primeiramente e acima de tudo uma decisão pessoal sobre aquilo que colocamos em nosso corpo. Em contraste, o que vem à mente quando você imagina uma antiga central elétrica a base de carvão? Muitos conjurarão imagens enferrujadas de um ambiente inteiramente degradado. Com isso, as centrais de energia baseadas em carvão simbolizam não escolhas pessoais, ou uma fonte direta de prazer, mas um intrusão opressiva em nossas vidas, fazendo-nos sentir violados e impotentes. Os ambientalistas, eu portanto me arriscaria a dizer, vão atrás do carvão ao invés das vacas não porque o carvão seria necessariamente mais danoso ao ambiente (e se apresenta não ser), mas porque a vacas significam carne, e carne, não importa o quanto nefasta, significa liberdade de perseguir a felicidade.
Não pretendo minimizar o impacto desses fatores, é claro. A visibilidade dos dutos, o romântico apelo dos pastos, a crença bem assentada de que podemos comer o que bem entendermos não são obstáculos significantes a serem ultrapassados. Mas dado que o poder documentado do veganismo de confrontar diretamente o aquecimento global, e dado o fato de que as emissões tem apenas se intensificado ao longo de todos os esforços para combatê-las, eu sugeriria a McKibbens, 350.org e ao movimento ambientalista como um todo trocarem seu agnosticismo carnívoro por uma dose de fogo e enxofre de fundamentalismo vegano.
Fonte: Agnostic Carnivores and Global Warming: Why Enviros Go After Coal and Not Cows
idéias, textos, poesias sob(re) a mente
"[...] sussuro sem som, onde a gente se lembra do que nunca soube," G.R.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Carnívoros Agnósticos e o Aquecimento Global: Por Que Ambientalistas Vão Atrás do Carvão e Não das Vacas
sábado, 30 de julho de 2011
Morrissey, o turkey da vez
Morrissey, ex-cantor do grupo britânico The Smiths, provocou polêmica ao declarar que os ataques recentes da Noruega não seriam "nada comparados ao que acontece todos os dias no McDonald's e Kentucky Fried Shit.". A declaração completa foi: "Todos nós vivemos em um mundo de assassinato, como os eventos na Noruega nos mostraram, com 97 mortos [sic]. Mas isso não é nada comparado ao que acontece no McDonald's e Kentucky Fried Shit [Chicken] todos os dias". Logo após, cantou a música "Meat Is Murder".
Depois da declaração, instantaneamente virou alvo das manchetes mundiais, que o acusaram de radical, irresponsável, entre outros adjetivos. No entanto, para alguns, a informação foi verdadeira, apesar da forma como foi dita. O sofrimento causado pela indústria animal é imenso - se for comparado a fundo e a "olho" com outras práticas humanas. Para outros, embora, continuou sendo chocante e ofensiva. Pois, afinal, são vidas humanas, diferentes de animais não-humanos, que "foram feitos" para serem mortos, na opinião da maioria das pessoas, não importa a quantidade. Animais não-humanos são apenas meros objetos de consumo, e essa é a ordem das coisas - por que questionar? Assim, Morrissey tornou-se atenção (e nova cruz) da mídia.
A forma (neutra) com que ele se referiu aos ataques pode ser interpretado como desrespeito e oportunismo, por grande parte da população. E, de fato, aproveitou-se de uma deixa midiática. Estava com o microfone na mão e falou o que talvez muitos teriam vontade de falar. Ele não trouxe o massacre à tona. O massacre é que o trouxe, ali. O recente evento da Noruega, assim como vários outros eventos, foi e é explorado exaustivamente pelas mídias nacionais e internacionais todos os dias, em todo o planeta. Colocam fotos das famílias chorando, em capas das revistas. Colocam crianças segurando lenço, em profunda agonia. Colocam todas as privacidades expostas em zoom, pra vender o sofrimento das pessoas como se fosse um grande filme de terror. E pra quê? Por profundo respeito à vida das vítimas.
Os ataques de Morrissey, pensando bem, não são nada comparados ao que acontece diariamente na mídia. Porém Steven Morrissey é o turkey da vez.
A tempo, não coloco minha mão no fogo por ele. Nem a mão, braço ou pata de ninguém.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
A morte do passarinho
A pessoa que tá filmando esta cena vai ser uma ótima repórter urubu quando crescer. Se quiser tem talento.
Hoje em dia virou mania filmarem uma criança chorando, como se fosse engraçado e um possível blockbuster do youtube. Nesse vídeo pode-se ver que a família também mantém pássaros em gaiolas - outra realidade imensamente triste no Brasil. Pássaros nasceram com asas por quê?
George Carlin - Bad News (legendado)
Crítica social ao "entretenimento" da tv e do por que a vinheta do Plantão da rede Globo mexe tanto com as pessoas. Sad but true.
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Aprovado projeto de lei que obriga políticos a matricularem os filhos em escola pública
Finalmente, foi aprovado o projeto de lei que obriga políticos brasileiros a matricularem seus filhos em escola pública! É polêmico, mas já é alguma coisa...
Confira aqui!
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Pastor com arma na Missa
Fico pensando, que tipo de educação querem dar para as crianças (se é que querem dar alguma coisa) nesse lugar? O que aprende um jovem que cresce vendo tudo isso e achando normal? Outra coisa que penso disso: esse post vai mudar alguma coisa no mundo? Eu quero mudar alguma coisa? Alguns vão rir, outros vão chorar, outros vão se indignar, no entanto muitos vão continuar fazendo a mesma e exata coisa assim como fizeram no dia anterior e sempre. E as igrejas continuarão a deitar e rolar com a alma dos fiéis e o fiel nem aí com nada, como sempre. A ponta da isca é o dinheiro, assim como a aposta é o dízimo da lotérica. Promessas de soluções fáceis e o milagre à espera. Santas chorando, probabilidades. O segredo é iludir. Ilusão é mutualismo. Todos queremos sonhar.
"O apóstolo Silvio Ribeiro, do Centro de Avivamento para as Nações, deu tiros no diabo que critica a cobrança de dízimo. No culto da Festa da Colheita em 19 de dezembro de 2010, ao receber de fieis dois revólveres de “oferta”, o pastor encenou "um ato profético" dando tiros na cabeça do diabo para quem a igreja não deveria falar em dinheiro.
“[O dinheiro] é a resposta para todas as coisas”, disse o pastor. “Diabo! Bala de fogo na tua cabeça!” O pastor também estava chateado pelo fato de o diabo ser supostamente abstêmio. Com voz gutural, disse: “O vinho -- de que você não gosta e até Jesus tomava -- alegra a vida”. [Voz gutural... tão celestial]
O Centro de Avivamento para as Nações é uma denominação evangélica mundial. No Brasil, tem templo em Porto Alegre (RS). O apóstolo Manuel produziu o vídeo "Detonando o diabo" com as imagens da encenação. Na edição, ele introduziu som de tiros, música, animação da figura de um chifrudo e efeitos especiais."
Fonte: Paulopes
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Cento e onZe
Recebi por email e repasso com uma breve explicação.
"Impressionante. Uma amiga me mostrou algo realmente estranho ...
Este ano vamos experimentar quatro datas incomuns ....
1/1/11, 1/11/11, 11/1/11, 11/11/11. E tem mais !!!
Pegue os últimos 2 dígitos do ano em que nasceu
mais a idade que você vai ter este ano e a sua soma será igual a 111
para todos !
ALGUÉM EXPLICA O QUE É ISSO ????"
Y + X sempre será 111 ...
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Manchetes de jornal não são muito confiáveis, diz estudo
Um estudo da Universidade da Pencil Vânia acabou de descobrir que manchetes de jornais podem não ser tão confiáveis quanto parecem. O estudo foi realizado com cerca de 40 mil pessoas durante um período de 12 anos em 7 países. Foi um dos maiores estudos realizados na área, no planeta. Já foi feito em outros planetas, mas neste foi novidade. Contou a ajuda de peritos de diversos setores, analisando cada manchete e matéria das principais empresas de imprensa de 19 países da Europa, no período citado. Os nomes não podem ser revelados, ainda, porém 10 delas apresentaram níveis de confiabilidade abaixo do grau mínimo de seriedade, de acordo com a Nova Corte Suprema de Trollohägem, em Kingston, JM. Essa Corte foi estabelecida há dois anos com o intuito de reduzir drasticamente a quantidade de ladainha e bagunça nos meios jornalísticos depois que jornais se aliaram a farmácias de manipulação produzindo drogas cada vez mais fortes para dopar a população. O grande problema são os membros da Corte, que, de acordo com um estudo recente publicado na Califórnia, aparentemente não existem. Isso, os supostos membros da Corte Oficial da Vitrola são fakes de orkut, facebook e vida real, de acordo com o estudo citado. São rumores, sim, pode ser desmentido a qualquer momento, portanto fique ligado.
Fonte: Mai Diq
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Sacanagem nas manchetes
Já faz tempo que presto atenção nisso. Sempre existiu, mas parece que ultimamente têm aumentado o número desse "tipo" de manchete no país. É a famosa (?) manchete falsa, ou manchete sacana. Porque a manchete por si só não é falsa, mas usa da ambiguidade de suas palavras para atrair leitores a clicarem em suas matérias, para depois então descobrirem que "não era bem isso" afinal. Abaixo vão alguns exemplos recentes:
Ator de "O Virgem de 40 Anos" é condenado por esfaquear namorada
Lembram-se do ator de "O Virgem de 40 Anos"? Isso! Aquele mesmo... Mas qual? Exato. A manchete não diz qual ator foi condenado e o leitor, inconscientemente, tende a associar o acusado ao ator principal, que não é o verdadeiro acusado. O ator, no caso, não é o Steve Carell (ver foto abaixo), mas um coadjuvante que nem se encontra no elenco principal, Shelley Malil.
Shelley Malil, real acusado
Ex-BBB Dicesar diz que vai processar companhia aérea por preconceito
Quando se clica na notícia, verifica-se que Dicesar não estava falando sério e, sim, fez apenas uma piada por ele ser drag queen e ter recebido a poltrona 24.
George Michael divide ala com pedófilos e estupradores, diz jornal
Quando se entra na notícia, descobre-se que George Michael foi preso por dirigir sob efeito de drogas e, de fato, está em uma ala com pedófilos e estupradores. Contudo, está mantido em uma cela individual, isolado dos demais presos. A situação dele não está muito bonita, de qualquer forma.
"O tabloide conta que Michael foi recebido com festa na prisão e passou a sua primeira manhã no local ouvindo presos das celas vizinhas cantarem os seus sucessos, como "Freedom" (liberdade)."
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São várias manchetes ambiguas. Por incrível que pareça, isso não é "jeitinho brasileiro" apenas. É um hábito comum em diversos jornais pelo mundo. Quando eu achar mais matérias assim, vou colocando aqui. Por enquanto, fiquem com essa de 2008:
Peixe comedor de pênis deixa pescadores preocupados na Nova Zelândia
Comedor de pênis? Não! não é esse pênis que você está pensando...
"Animal que migrou da Austrália se alimenta de órgão sexual de moluscos.
Ambientalistas acreditam que peixe pode reduzir população de cracas."








